"Equipamento que dura 3 anos está bom" O que esse pensamento está fazendo com as obras e com quem usa elas
Certa vez, durante uma negociação, um cliente nos disse algo que resume um problema crescente no setor: "Não precisa ser o melhor. Só precisa funcionar por 3 anos, que é o tempo que vou estar nessa função."
Não era descuido. Era uma decisão consciente. Ele não queria qualidade. Queria que o problema não fosse dele.
O que está por trás dessa lógica?
Esse pensamento não é isolado. Ele reflete uma cultura que se instalou em parte do mercado de construção e infraestrutura: a cultura da entrega, não da solução.
A lógica funciona assim: a construtora entrega a obra. O equipamento está funcionando no dia da entrega. O contrato está cumprido. O que acontece depois de 2, 3, 5 anos.. não é problema de quem construiu.
Para quem pensa dessa forma, qualidade é custo desnecessário. Especificação técnica é perda de tempo. E o cliente final, seja uma prefeitura, uma concessionária de saneamento ou uma comunidade inteira, fica com o problema que ninguém quis assumir.
Quem paga a conta?
O cliente final. Sempre.
Quando uma comporta mal especificada falha em uma estação de tratamento de esgoto, não é a construtora que responde. É a concessionária que opera o sistema. É o município que precisa mobilizar recursos emergenciais. É a população que fica sem serviço ou convive com os impactos de um equipamento que nunca deveria ter sido instalado daquela forma.
Quando um sistema hidráulico apresenta falhas estruturais dois anos após a entrega, o prazo de garantia já expirou, a construtora já foi embora e o engenheiro responsável já está em outro projeto.
O dano ambiental, o custo de manutenção corretiva, o retrabalho em estrutura civil.. tudo isso recai sobre quem vai operar o sistema pelos próximos 20, 30, 40 anos.
O que vemos na prática
Na Dim, acompanhamos de perto o processo de especificação e fornecimento de comportas e válvulas para obras em todo o Brasil. E o que vemos com frequência crescente é preocupante.
Projetos com dimensionamento incorreto. Materiais incompatíveis com o ambiente de instalação. Equipamentos sem os componentes necessários para a instalação correta. Erros que um olhar técnico experiente identifica rapidamente, mas que passaram por todas as etapas de aprovação sem que ninguém questionasse.
Não porque os profissionais envolvidos não soubessem. Mas porque, em muitos casos, simplesmente não era prioridade corrigir. A pressão por prazo, por margem e por entrega atropela a técnica. E quem não tem voz nesse processo é o usuário final do sistema.
Onde isso nos leva?
Infraestrutura hídrica não é um produto de consumo com vida útil programada. Estações de tratamento, reservatórios, canais de irrigação e sistemas de abastecimento são construídos para durar décadas e atender populações inteiras.
Quando esses sistemas são entregues com equipamentos subdimensionados, mal especificados ou escolhidos pelo menor preço sem critério técnico, o custo não aparece na nota fiscal. Ele aparece anos depois, em falhas operacionais, contaminações, interrupções no abastecimento e obras emergenciais que custam muito mais do que a economia gerada lá atrás.
A pergunta que fica é direta: até quando o mercado vai tolerar que obras de infraestrutura sejam entregues para durar o suficiente e não para durar o necessário?
O que diferencia quem faz certo
Existem profissionais e empresas que ainda tratam especificação técnica como responsabilidade, não como formalidade. Que questionam o projeto quando algo não está correto. Que recusam fornecer um equipamento inadequado mesmo quando o cliente insiste no menor preço.
Não são os mais baratos. Mas são os que você vai querer ao seu lado quando o sistema precisar funcionar de verdade. A Dim é uma delas, e seguirá sendo.

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